Outra

 

 

 

Essas mãos não me pertencem

Elas são governadas por outro alguém

Esses seios não me pertencem

Eles são carregados por outro alguém

Esse sexo não me pertence

Ele é olhado por outro alguém

 

E eu tenho medo de olhar

Olhar e penetrar demais

Olhar e invadir demais

Atravessolhar as pobres almas

Que me encaram, incógnitas.

 

E eu tenho medo de ser vista

E me reduzo a palavra e razão

E me constranjo pela megalomania

Da minha mente tão endeusada

Que suga o corpo franzino

Que não suporta

Que não levanta

 

Dos subsolos brotam máscaras

Como flores na merda metamorfoseada.

Eu sou a imagem que não enxergo

Porque só sei olhar de dentro

E por dentro;

Por dentro dos olhos

Onde nascem raízes sedentas .

 

Dissocio entre o sangue e a palavra

Entre os ossos e os abandonos

E esqueço que tudo sou ela

A que tem medo de enxergar-se

Na pintura da velha máscara.

 

 

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Arranquei minha pele e fiz uma máscara.

Embalsamei-me em meu sangue, meu gozo e meu lamento.

Agora sou dura: um riso em esboço

Junto a olhos perdidos, covardes, medonhos.



Sufoco meus sonhos a teimar de insônia.

Acordo mil vezes e nunca relaxo.

Estou sempre alerta. Há um grande segredo

Que as pálpebras abertas

Insistem em não revelar.



Seria eu, portanto, a face que se esconde

Tão à vista de mim, tão exposta ao mundo,

Mas que não se reconhece por não acreditar-se?

Seria eu o discurso que grito e não ouço?



A máscara já cansa e eu pouco regenero.

Não respiro. Vivo atrás da personagem.

Os olhos vagueiam diante do espelho

E tudo é opaco quando até a mentira

Tornou-se irreparável reflexo de si.