Alquimiragem

 

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eu vim do mistério de mercúrio
o metal em liquidez
sou verdade que se dizencontra
a mens-ala-gem por si mesma
a metamétrica, metamerúnica
solipsista tragédia
solopassista berreiro
vindo da dor aquémérica
no chicote da vicissitude

alquímica vertigem de corpalma
a moer o ouro com os dentes
a beber o fel na taça uterina
a fundir num relincho o mistério
que se abre inveteradavertebradamente

dói

verto a bruxa incinerada
pelos buracos do verbocultista
pactuei com o demônio da letra
sou a gota da veia mefística
decantincandescência insurreta
escarnificina da rimestilística

rio
os olhos cachoeiram-se
na torrente onírica do medo:
vejo explodir o tubensaístico
das ideias elementaliciadas
largando a crisálida avessa
que lagarteou-se no tecer das asas

a rigidez entreversetrevada
ancora enquanto rodopia ideias.
metamerúnica renúncia metamétrica,
é chegada a hora final
da tua escarnificina!
faz-te a panaceia no seio
que a vida é curta, alquimiragem,
mas há um oásis de mercúrio
no coração da tua sede.

Nascimento

2001: A Space Odyssey - End Remade - YouTube
2001: Uma Odisseia no Espaço

 

No princípio era o breu.
Ao longe, um peito
pulsava o eu:
era uno
era o tudo
no abrigo da terra.

 

Formou-se o mar
e acreditei-o firmamento
apenas boiava
sem saber do tempo
e por não saber do tempo
não sabia medo

 
Mas algo mudava:
eu me crescia de mim
ou eu não era em mim.
Vi-me à parte, realizei paredes,
e pulsei. Já não era só eco.

 
Eu e eu sabíamos
que o mar acordaria.
Quando chegada a hora
Fomos ferozes por amor
E eu e eu brotamos:
Eu, para o mundo;
Eu, para o outro.

 

 

(Houve um corte, mas tem sido lento)

 

Na primeira respiração abriu-se o precipício
– no precipício era o verbo –
e no corpo pequeno
um grito ecoava
do umbigo ao infinito

 
Havia fome
e essa fome era de eu:
soube em mim o seu caminho.

 
A boca, portal do grito,
sugava sussurros da vida
junto ao pulso do primeiro abrigo.
Depois, tudo.

 

Nascer foi um susto.